domingo, dezembro 24, 2006

Final de Ano, época de rever objetivos
Sou uma pessoa "neurótica" por meus objetivos. Certo que neurótica não é a palavra mais bonita tampouco a mais adequada, mas a única que consegui pensar agora. Seria uma boa característica se eu não fosse tão volúvel quanto aos meus objetivos. A sorte é que alguns deles se perpetuam ao longo dos anos, não os abandonei e nem teria como lembrar quando eles começaram....
1- Ver a Shakira cantar pessoalmente Donde estás corazon, underneath your clothes, la pared, tus pupilas, estoy aqui, pies descalzos, donde están los ladrones... Eu adoro... Desde sempre que eu quero isso (claro que ao longo do tempo fui acrescentando músicas nessa lista)... Eu gosto e me faz bem. É o que importa!
2- Quero conhecer a França. Outra coisa que sempre quis.. Impressionante... As crianças queriam ir tudo pra Disney e eu sonhava com Torre Eiffel. Pelo menos em agosto já começa meu curso de francês... é um primeiro passo!
3- Viajar com uma mochila nas costas, não precisa ser com muito dinheiro, mas tem que ter uma boa companhia.
4- Ter amigos que conversem de madrugada e falem bobagem antes de dormir.. É o estado de alfa... Acho que tenho grande capacidade de entrar nesse estágio, acho que daí que surgem as melhores idéias... rsss
5- Escrever um livro... Ou mais. De qualquer tipo, mas livros que eu goste de escrever.. não necessariamente que as pessoas gostem de ler. Primeiro a minha diversão, depois a dos leitores né?
6- Pesquisar e desenvolver projetos que facilitem a vida das pessoas. Por que a burocracia sempre tem que atrasar o desenvolvimento?
7- Ajudar na divulgação da Doutrina Espírita e aprender sempre mais sobre ela.
8- Ter independência financeira.
9- Estar sempre bem acompanhada com pessoas que eu goste de estar junto.
10- Saúde para mim e para as pessoas que eu gosto.
Não é nada muito impossível né?
[Isso estava no meu perfil no Orkut, mas para não perder o texto resolvi postar aqui]

segunda-feira, outubro 30, 2006

Músicas e meus pensamentos

Nesses últimos dias tenho procurado músicas que façam sentido com os meus pensamentos. Nem sempre é fácil, mas quando encontro me sinto bem. É como se uma outra pessoa, alheia ao que estou pensando, conseguisse expressar tudo o que eu sinto e, ainda, através de um som de qualidade.

Ironicamente para um dia de eleições em que o atual presidente é reeleito, escuto antes de dormir – o que significa que agora estou escrevendo esse texto com sono e praticamente em alfa – “Surfando Karmas” dos Engenheiros do Hawaii.

Posso dizer que, resumidamente e fazendo uma análise pobre e de pouca profundidade, a música fala sobre repetirmos sempre os mesmos erros. Se errarmos em algo é porque temos uma fraqueza. É como no colégio, quando o aluno leva zero na prova de matemática, não quer dizer que ele foi ruim só naquele dia. Quando um aluno erra assim, é porque ele é fraco na matéria e vai ter que se esforçar muito para conseguir reverter o resultado. Se ele fosse bom, daria um jeito de se sair um pouco melhor. Salvo em exceções, tipo se ele levou zero porque foi pego colando ou algo assim.

Quero dizer que nossos erros não são recentes, não são lançamentos de fábrica, são os mesmos de sempre. Prometemos mudar, mas os erros se repetem... Até quando? (A)onde isso vai parar?

“...Se eu soubesse antes o que sei agora erraria tudo exatamente igual...”

Surfando Karmas – Engenheiros do Hawaii


segunda-feira, outubro 23, 2006

Donabella no Intermed

Muito bom! Não tem como ir na festa do Intermed sem ficar de olho no show, cantando e dançando junto. A banda Donabella esteve ótima, cantando composições próprias e de outros artistas. Não posso deixar de ressaltar que a Tiane cantou Shakira muiiiito bem.. E todo pessoal cantando junto!
Agora só pra relembrar to escutando o cd da banda..... "...se não há pra onde fugir... voar...... sair daqui.... mudar....quero estar ao menos no seu lugar enquanto você chorar".. ''por mt tempo desisti de saber mais sobre mim.... ''

sexta-feira, setembro 15, 2006

.............

Depois de outros vários dias sem escrever [Liége pensando se alguém realmente dá a mínima para isso], nada pode ser menos oportuno do que vir aqui explicar para um algum possível leitor [aquele que só aparece por aqui quando está com uma insônia mal resolvida] o porquê de ficar tanto tempo ausente do blog.
-------------

Pronto... depois de escrever e reescrever o post sobre as explicações, decidi deletar a mensagem e colocar qualquer outra coisa significativa para o momento... Juro que vou pensar e colocar algo que valha para o momento.


------
Tá, nada de considerável.... Domingo tem ConJes e minha casa está parecendo uma filial do evento... é banner, camisetas, pastas tudo na sala.... Depois que passar vou respirar fundo. Por enquanto fico na torcida para que dê tudo certo.

sexta-feira, setembro 01, 2006

Tem Lógica?

Não cheguei - e nem faz parte da minha lista de desejos - escrever um texto sobre a falta do que escrever. Dizem que todos os escritores - tá, não que eu seja uma - chegam num dia assim, sem idéia e só conseguem escrever sobre a falta de uma idéia suficientemente boa para se elaborar um texto. Se eu já fiz isso não lembro, talvez por 2 motivos:


  • eu não ser uma escritora;
  • nem a própria autora se lembrar de um texto medíocre sobre a falta de assunto.

Escapando-me de discutir sobre a não existência do tal texto, que nem é motivo desse, penso ultimamente sobre a falta de tempo para escrever. Tanto que esse argumento é o responsável por eu estar há bons dias sem atualizar o blog. Na verdade tem bastante coisa para escrever, e é isso mesmo que acaba me deixando sem tempo para .... escrever.
Tem Lógica?

Sim, todas as sextas-feiras de noite. E hoje inclusive é a prova.

domingo, agosto 20, 2006

Shakira fala sobre a guerra em um de seus shows

“Quero falar como jovem em nome de minha geração por que estou certa de que minha geração concorda comigo: a guerra não é resposta nem solução para nenhum conflito. Nãoo hoje, não neste século. É urgente que haja uma intervenção diplomática e um imediato cessar fogo. Lamento muito, como o resto do mundo, imagino, por saber que por causa deste conflito milhares de mães e filhos inocentes estão morrendo.

Eu apenas gostaria de fazer um alerta de toda a minha geração para os líderes dos Estados Unidos e de todos os países poderosos para que parem esta guerra, por que nós sabemos que eles podem fazer isso. Apenas espero que haja uma intervenção diplomática o mais rápido possível. Queremos algo melhor que isso para as nossas crianças; as crianças da Colômbia; as crianças de Israel; as crianças da Palestina; as crianças do mundo. Por que acredito em apenas uma raça humana.

Não precisamos de lideres que só criam mais ódio, ressentimento e divisões. Precisamos de lideres que se preocupam com o povo e com as necessidades sociais de uma nação. Não lideres que apenas investem em armas e missões espaciais. Acho que precisamos começar a nos preocupar com o que temos aqui neste planeta, que é muito difícil.

É difícil sobreviver neste mundo em que estamos com tantas catástrofes naturais como a Tsunami que houve na Ásia e mesmo assim estamos nos matando uns aos outros. Isto é algo que não entendo. Há um monte de coisas que precisamos começar a fazer a fim de sobreviver enquanto comunidade, enquanto raça humana”.
Fonte: www.portalshakira.com

quarta-feira, agosto 09, 2006

A dificuldade em colocar aquilo que pensamos e sentimos no papel ou em qualquer lugar do mundo externo é extranhamente maior quando já estamos a meio caminho andado, com um lápis na mão e um caderno sob a cama. As coisas são mais fáceis quando pensamos nelas, o problema é a falta de impulso para começar a fazer. Depois de dito, exposto ou feito, sofremos as consequências. Consequências concretas, reais, pois quando simplesmente pensamos em fazer mas temos temos receio a única consequência é o mal estar da indecisão.

domingo, agosto 06, 2006

vida louca, louca vida

É... andei meio parada no blog, mas resolvi escrever hoje para não parecer que larguei de mão. Na verdade eu ando cheia de coisas, tenho que escrever, tenho meu projeto de pesquisa, minha musculação, meu curso de francês que vai começar agora e uma viagem amanhã pelo projeto.. Fora que começaram as aulas semana passada.. Bah, muito boas as matérias... E estou bem louca atrás de formas de estudar para o teste Anpad. Tenho que fazer de tudo para conseguir um mestrado numa federal. As aulas parece que vão ser bem puxadas, então não vou ter muito tempo para bobear... Preciso estudar. E publicar uns artigos logo. Aliás, semana que vem tenho que ver isso, para apresentar num seminário.... Ainda bem que eu gosto de tudo isso.
Bom início de semana para todos!

terça-feira, julho 25, 2006

Cara, cadê a Mary e a Pati?

Sumiram.. Mary com o pc quebrado... Pati sabe-se lá o que anda fazendo que não manda e-mails gigantescos contando sua vida que sempre rende assunto. Eu quero ir ver essas gurias, assistir um filme, dar umas voltas no Iguatemi, depois ficar deitada nos almofadões da Cultura lendo alguns livros interessantes, madrugar falando bobagem e inventar teorias sobre Harry Potter, mesmo sabendo que a J.K. Rowling não seria capaz de colocar nossas ótimas idéias em seus livros.

segunda-feira, julho 17, 2006

Sabe aquele amigo sincero e que está ao seu lado incondicionalmente? Aquele que apóia mesmo quando você está errada e tenta facilitar o retorno ao caminho certo... Aquele que sabe verdadeiramente fazer isso, conhecendo todas as suas manias e particularidades, alertando da maneira mais adequada possível, para não te deixar envergonhada... Aquele que parece priorizar a sua amizade acima de tudo, como sendo parte de si mesmo. Um dia passei a entender que um amigo assim não significa um companheiro para a vida inteira.
Essa pessoa colocou a situação acima da sua amizade, trocou o momento pela sua consideração. Esqueceu-se que o minuto é passageiro, mas o sentimento não precisa ser.
Agora acabo pensando que seria bom fazer contratos de amizade. Sorrir com alguém que nunca vai lhe decepcionar, que vai te colocar acima de tudo – não teus vícios e defeitos, mas a ti como ser humano completo, que nunca abandona um amigo. Estabelecer cláusulas que explicitem o que é inadmissível, aquela coisa que você dificilmente vai perdoar e se perdoar vai demorar muito e vai diminuir os anos que poderiam ser passados juntos. Convivência que poderia aliviar muito os sofrimentos que a vida nos faz passar. Deve existir sim esse contrato, mas na consciência das pessoas que sabem ser leais a um verdadeiro amigo.

quinta-feira, julho 13, 2006

O estranho dia da final da copa do mundo

O estranho dia da final da copa do mundo

Foi estranho e desproporcional... Começou errado desde a transmissão até o evento em si. Eu cheguei a assistir As Panteras para não perder 1 segundo do jogo e da abertura. Esperava que a Globo transmitisse o show e o que eles mostram? Galvão Bueno falando abobrinhas enquanto ao fundo se escutava, muito baixo, a Shakira cantando Hips Don't Lie. Em resumo, apresentaram a festa da final da Copa sendo estragada pelo narrador, como se já não bastasse o tormento que nos faz passar em cada uma das transmissões.

Depois falo sobre o melhor jogador da Copa.

domingo, julho 09, 2006

Uhhhll. Domingo e ainda não desisti do blog. Acho que realmente vou prosseguir com ele, apesar de não ter pensado direito em que escrever agora. Digo agora, porque ontem, enquanto chovia e relampajava muito, pensei nas coisas que estava sentindo e que poderiam ser escritas aqui. Enfim, não pude ligar o pc nem o modem para formular o texto e publicar. Já tive o azar de ficar um mês sem modem quando caiu um raio e a garantia demorou um 'pouquinho' para me ressarcir. Então nem eras ligar a internet enquanto chove assim. Agora tem até sol lá fora, mas nada significativo para escrever. Ah... Uma coisa importante: hoje a tarde assistam a festa de encerramento da Copa.. A Shakira vai cantar Hips Don't Lie. Liguem a TV meia hora antes do jogo.
Beijos!

quinta-feira, julho 06, 2006

Meta do ano...

Meta do ano...

Todo mundo começa o ano com metas a serem atingidas e que normalmente não se faz muita coisa para alcançá-las depois da primeira semana. Para tentar fugir a regra tentei elaborar um objetivo fácil que provavelmente seria alcançado, mas que dependeria do meu comprometimento e uma certa disciplina.
Ler 36 livros durante o ano... Grande objetivo né, vocês devem estar ironicamente se perguntando... Mas você sabe quantos livros você lê por ano? Eu não sei quantos eu lia, agora vou saber. Estou anotando no caderno de folhas amarelas fosforescentes cada livro que leio. Vamos à lista!

Janeiro:
1- Harry Potter e o Enigma do Príncipe - J.K. Rowling
2- Estela - Camille Flammarion

Fevereiro:
3- O Caso dos 10 Negrinhos - Agatha Christie
4- É Fácil Matar - Agatha Christie
5- Urânia - Camille Flammarion
6- A Metamorfose - Franz Kafka

Março:
7- Meu cliente meu amigo - Silvio Luzardo
8- Harry Potter e a Ordem da Fênix - J.K. Rowling
9- Primeiros Casos de Poirot - Agatha Christie

Abril:
10- Paulo e Estevão - Emmanuel/Francisco Cândido Xavier
11- Adolescência e Vida - Joanna de Ângelis/Divaldo Pereira Franco
12- Escrito nas Estrelas - Sidney Sheldon
13- O Monge e o Executivo - James C. Hunter

Maio:
14- Como identificar e mobilizar o potencial de desenvolvimento endógeno de uma região? - Carlos Aguedo Paiva
15- Caminhos para o Amor e para a Paz - Ivan de Albuquerque/Raul Teixeira
16- A Pluriatividade na Agricultura Familiar - Sergio Schneider

Junho:
17- Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade - Marcio Pochmann
18- Noite de Almirante, Teoria do Medalhão, O Alienista, Uns Braços, Conto de Escola, O Espelho - Machado de Assis


Leio na média de 3 por mês.. Foram 18 até agora. Tudo se encaminha para eu ler 36 até o final de dezembro. Alguns desses certamente entrarão na minha lista de preferidos, quando eu criar uma.... É, vou criar uma lista de preferidos em breve. Hasta!!

.recomeço.

É a idéia agora: recomeçar; voltar a ativa no Blog.
Vou ver se consigo alterar o layout para dar mais ânimo para escrever. Esse visu já está passado!

Até a próxima.

terça-feira, novembro 08, 2005

O BAAL ZEBUB

O BAAL ZEBUB
Liége Jorgens1


Dirigido por Harry Hook em 1990, O Senhor das Moscas mostra o lado sombrio da mente humana, mergulhando o telespectador em uma metáfora sobre o desenvolvimento da vida em sociedade.
A aeronave de um grupo de garotos ingleses cai em uma ilha paradisíaca iniciando, assim, uma luta pela sobrevivência e pelo retorno a seus lares. Os garotos criam uma sociedade fundada em regras de liderança, comunicação, trabalho em equipe e consciência.
A princípio todos parecem estar receptivos à liderança de Ralph, um líder democrático, que prega a civilidade e a união. Todos devem cooperar nas tarefas que são, basicamente, manter a fogueira acesa – como forma de sinalizar para a equipe de resgate - e conseguir sua subsistência.
Não se pode negar que os agrupamentos de pessoas estão isentos de problemas, mesmo aqueles bem organizados e estruturados. É assim que, dentro da sociedade, surge uma facção que deprecia os outros membros e passa a desrespeitar as regras, deixando de cooperar na atividade primordial: a tentativa de resgate. A prioridade desses garotos passa a ser a caça.
Digladiando pelo poder, Jack divide a sociedade explicitamente: as crianças seguem Ralph e os caçadores devem segui-lo. Baseia-se na idéia de dividir para melhor dominar. Como diz Sun Tse2: “Perturbem o governo adversário, semeiem a dissensão entre os chefes, excitando o ciúme ou a desconfiança, provoquem indisciplina, forneçam causas de descontentamento. A divisão fatal é aquela pela qual tentamos, por meio de ruídos tendenciosos, lançar o descrédito ou a suspeita, até na corte do Soberano inimigo, sobre os generais que o servem”. É o que se observa quando Jack diz aos garotos que cumpre suas promessas, diferente de Ralph, ele conseguia a carne que eles tanto queriam.
Sun Tse ensina também como ganhar uma guerra abalando a autoconfiança do outro: “Sem chegar ainda à luta, tente ser vitorioso. (...) Como os antigos que, antes de entrar em combate, tentavam enfraquecer a confiança do inimigo humilhando-o, mortificando-o, submetendo suas forças a rudes provas. (...) Corrompam tudo o que nele houver de melhor, por meio de oferendas, de presentes, de promessas; alterando a confiança em seus melhores guerreiros, levando-os a ações vergonhosas e vis. E não esquecendo de divulgá-las.” Exatamente o que os caçadores fazem, roubando a faca e os óculos do braço-direito de Ralph. O grupo dos garotos civilizados se desestabiliza pela falta de instrumentos de prosseguir em suas tarefas.
A liderança de Jack é autocrática e utiliza o medo do desconhecido – o Monstro – para melhor dominar.
Sem regras e sem adultos por perto, os garotos sentem-se livres para fazer o que quiserem, passando de garotos normais a assassinos perversos. Os caçadores assassinam sem querer um membro do grupo dos garotos civilizados. É o momento em que parece que haverá uma tomada de consciência, mas não acontece. Encontram um bode expiatório para levar a culpa. É o que a psicanalista francesa Marie-France Hirigoyen3 chama de deslocamento da culpa. Por um fenômeno de transferência, os verdadeiros culpados projetam a culpa no bode-expiatório. Há uma necessidade de projetar a culpa para o exterior e de dizer: “A culpa é sua!” ou alguma outra frase do gênero.
E quanto ao nome que leva a presente resenha, deve-se a interpretação da autora sobre o nome do filme. Levando em conta a sociedade satânica formada pelos caçadores, pode ser uma referência à origem etimológica da palavra Belzebu, do babilônico Baal Zebub, ou em português, Senhor das Moscas.
Interpretações à parte, o filme leva o espectador a repensar as noções de certo e errado incorporadas pelo superego e a necessidade de uma conduta moral para a viver em sociedade respeitando os limites dos outros. Utilizando instrumentos trágicos, o autor retrata a impiedade e a selvageria humana, chocando o espectador que precisa de uma boa dose de sangue-frio para se manter até o final do filme.



1 Aluna do 4º Semestre Curso de Administração – UNICRUZ.
2 Sun Tse, A Arte da Guerra, Editora Record.
3 Marie-France Hirigoyen, Assédio Moral: A violência perversa no cotidiano, Bertrand Brasil.

domingo, outubro 16, 2005

A Melancolia

A tristeza é um estado de espírito que envolve os seres. Apesar das inúmeras alternativas de lazer, que deveriam proporcionar satisfação e alegria, as pessoas parecem estar cada vez mais melancólicas.
Evitam a presença de amigos, adotando uma introspecção excessiva que não faz parte de seu comportamento costumeiro.
Parecem ter passado por alguma situação que as desanimou, pois uma vaga tristeza desencoraja-lhes a continuar no serviço do bem com o vigor e alegria de outrora.
A apatia frente aos problemas alheios só demonstra que ainda não sairam de seu casulo egóico. Deixam de observar os tormentos à sua volta, pois estão cegos pelos próprios pesares. Porém, ninguém sofre sozinho.
Apáticos, não ouvem nem querem ver, pois estão acostumados à situação mental e física em que se mergulharam.
A indiferença para com os problemas alheios é um estado quase mórbido que domina pouco a pouco as criaturas. Anula a motivação que os capacitam para a luta e induz ao progresso.
Devem tomar como exemplo aquela mãe que observa o berço vazio do anjo que antes sorria, mas não deixa de ter fé na justiça divina. Ou aquele homem que, ao perder todas suas posses, não deixou de exercitar sua inteligência e conseguiu vencer essa dificuldade.
O mérito consiste em suportar as dores que não podem ser evitadas.
Com coragem, consegue-se perseverar na luta.
Com bom senso, vence-se o comodismo de acreditar que seus problemas são maiores do que todas as chagas da humanidade reunidas.
Liége Jorgens

“Deus dirige aos vossos corações um apelo supremo, através do Espiritismo; escutai-o”1.

Citação:
1: VERDADE, Espírito de. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo VI, item 7. Editora EME: Capivari SP, 1996.

Leituras relacionadas:
O Evangelho Segundo o Espiritismo – Allan Kardec - Capítulo V – Bem Aventuradis os Aflitos – itens: 25 e 26;
Espírito e Vida – Joanna de Ângelis – 4ª edição – pág. 194 e 195.Oferenda – Joanna de Ângelis – 3ª edição – pág. 53 e 54
.

domingo, setembro 04, 2005

O limite entre o normal e o bizarro

Com um forte estalo, de súbito, fechara a porta da van que parecia apenas a sua espera.
Cerrara os olhos como forma de ajuda para que a viagem até sua casa não fosse tão longa.
Lembrara-se de como havia chegado até ali. Recebera uns diferentes recibos de pagamento de passagem de um garoto. Um garoto pequeno demais para estudar na universidade. Estranho demais para pertencer a esse mundo – pensou, lembrando-se dos seus enormes olhos tão desproporcionais ao rosto fino e alongado do garoto. Não questionara a proveniência do vale-transporte, pois aquelas vans eram bastantes conhecidas dos alunos que se incomodavam de sempre andar naqueles ônibus superlotados.
*****
Tentava movimentar-se para passar a roleta daquele ônibus que a levara para a universidade naquela tarde. Tinha sérias dúvidas se chegaria do mesmo tamanho para a aula. Sugeriu ao cobrador que deveria haver poltronas do lado de fora do ônibus. Infelizmente, o homem justificou todas as impossibilidades para se aplicar a sua idéia. A garota falara em tom sério, contudo os mais perspicazes sabiam que aquela era sua maneira de contar piadas. Uma ótima maneira de conhecer as pessoas – pensava. A maneira como as pessoas reagem a uma piada não declarada mostrava o quanto eram atentas. Sentia-se muito constrangida quando alguém fazia observações desagradáveis, rindo, esperando que todos estivessem de acordo. Pelo menos não expunha as pessoas a tal indelicadeza. Esperava que da próxima vez o cobrador a compreendesse.
******
Lentamente ia abrindo aqueles olhos negros para observar aquele caminho já conhecido. Tudo estava estranhamente silencioso. Um silêncio quase sepulcral. Porém não tardara a entender o motivo.
Ao olhar para o banco onde deveria estar o motorista encontrou o lugar vazio, assim como todo o resto. Custava a acreditar na realidade da cena que presenciava. Estava sozinha. E dessa vez não era como das outras vezes. Teve que admitir que dessa vez a solidão a incomodava.
Ao mesmo tempo em que surgiam perguntas sobre aquela situação que beirava a surrealidade, pensava na maneira mais eficiente de agir. Seria esse o novo conceito de piloto automático? Aliás, nunca entendera de termos automobilísticos, mas isso não fazia tanta falta. Antes não fazia falta, mas quando se está em um carro que anda sozinho, saber o significado da expressão piloto automático fazia a diferença.
Um sorriso nervoso surgiu em seus lábios quando seu olhar passou pelos botões Pause e Stop do som. Por um breve momento acreditara que estava lidando em um daqueles videogames que costumava passar tardes inteiras jogando. Ok, – pensou, tentando se manter calma – isso não é um videogame e meu pai não está aqui para dirigir.. Aliás, porque ele nunca a ensinara a dirigir? Por que sempre tentou ensinar a sua irmã e não a ela? Mas sabia que aquela era a hora menos apropriada para sentir raiva de seu pai.
Parecia que estava tomando consciência da situação em que se metera. Voltou a perceber o mundo a sua volta, assim como a buzina do Fox vermelho que acabara de passar na direção contrária no lado oposto da pista. É, parece que o piloto automático não tem muita noção de esquerda, direita e centro da pista. Estamos no meio da pista! – pensou completamente exasperada.
Pulou para o banco do motorista, e tentou levar o carro para a direita. Não, não, no acostamento não. Era quase como se ela quisesse que o carro obedecesse ao seu pensamento e não ao volante. Não tinha a mínima noção de equilíbrio, por isso virou o carro para a esquerda. Para a esquerda demais! Quase bateu no carro que passava ao lado.
Conseguiu manter uma linda paralela a listra do acostamento. Parecia que ia se estabelecer um certo equilíbrio. Por alguns segundos apenas! Uma imensa descida, aliás, íngreme até demais. Pensou se deveria mudar de marcha; o carro parecia solto demais, quase fora de seu controle.
O céu era um azul límpido, as poucas nuvens brancas serviam apenas para quebrar aquele azul monótono. A garota pensou se essa seria a última vez que olharia para o céu.
******
Sentia o vento cortar sua face e sua cabeça ser puxada para trás como quase que arrancada de seu pescoço. Aquela não era a maior montanha-russa do parque, mas precisava ir em todas. Estava no Parque de la Costa em Buenos Aires, o maior parque de diversões da Argentina, deveria aproveitar todos os brinquedos que desejasse ir. Aproveitar tudo ao máximo!
******
Olhou a estrada, aquela descida era pior do que qualquer montanha-russa que já tivesse ido, não agüentaria. E não conseguiria manter o controle do carro. Só o que pode pensar foi em frear o carro. Acelerou! Continuou acelerando até perceber que aquele não era o pedal certo.
Naquele momento, viu em sua cabeça uma cena que parecia incrivelmente real. Seu colega, que havia lhe dado carona no dia anterior, dizendo – Que barra, perder uma filha com essa idade...
Havia mais duas tentativas. Segundo Murphy a garota só acertaria o freio na terceira, mas dessa vez seus cálculos estavam errados. Ela freou o carro logo que a descida estava se terminando.
Escutou barulhos de ferros se retorcendo e de repente se viu fora do carro sem se lembrar de ter saído. Ótimo, aquele era o final da estrada, chegava ao perímetro urbano.
Viu-se dentro de uma loja de mármores que nunca havia reparado antes. Devia ser mais um daqueles estabelecimentos da entrada da cidade. Estava quase que caída, com os joelhos flexionados, meio atirada no chão. A sensação gelada da mármore diminuía a dor que sentia em seu corpo.
No meio de tantas mostras de mármore nunca seria vista, pensou. Vendo-a se levantar, a atendente da loja veio falar:
- Precisa de ajuda? – perguntou com um jeito calmo demais para a cena que estava presenciando.
- Há-há! Todo mundo acha que eu morri, acredita? – não sabia de onde houvera tirado que todo mundo achava que ela tinha morrido, as palavras simplesmente escaparam-lhe à boca.
A atendente a estudou, com um olhar como se estivesse realmente avaliando a possibilidade:
- A julgar pela sua cor.... – disse a atendente dando uma breve pausa.
O que? Ela realmente está me respondendo? Ela deveria só rir! Essa era mais uma daquelas piadas que ela contava em tom sério para que as pessoas rissem.
- ....e pelas formas de seu rosto...
Ela não podia estar mesmo morta. Seria mesmo assim? Imaginou-se em uma sessão mediúnica em que um coordenador sem o mínimo tato a contaria que havia desencarnado. Por isso tanta gente morria e não percebia? Mas não se lembrava do momento certo em que teria morrido. Se é que ela havia morrido. Aliás, aquilo nem estava sendo levado em consideração... Era apenas uma piada!
A garota agora se virara para a porta a sua esquerda onde havia um grande espelho. Sabia que aquelas suas vestes negras contratavam com a palidez de seu rosto, porém aquilo nunca parecera tão fúnebre. Fúnebre. Essa palavra nunca lhe parecera tão depreciativa quanto naquele momento. Porém não era nem a palidez habitual de seu rosto nem o vazio de seu profundo olhar que a assustara. Seus olhos se fixaram no lado esquerdo do seu rosto.
Abaixo do seu olho esquerdo até o colo estendia-se um inchaço de procedência inexplicável. Tudo parecia rodar a sua volta, seus joelhos dobravam-se como se não respondessem mais as suas ordens; sentia uma dormência crescente no lado do rosto.
De longe vinha um leve barulho que a fizera despertar. As correntinhas das persianas de seu quarto batiam com a força do vento que entrava pela janela entreaberta. Um lado de seu rosto parecia relutar a voltar a vida devido ao conforto do travesseiro. Um leve brilho do sol entrava pelo quarto como se quisesse varrer a escuridão de uma noite que merecia ser esquecida.
A garota ficou por vários minutos sem se mover, apenas refletindo o que teria sido aquela terrível lembrança, se haveria algum significado para que ela tivesse ocorrido.
Um sonho real demais para ser esquecido.


Liége Jorgens

domingo, julho 03, 2005

Divagações pré-prova

Quem nunca passou um final de semana tentando responder questões de algum trabalho para a faculdade? Nesse final de semana tive a infelicidade de passar por tal situação. Dois trabalhos de Macroeconomia para fazer, além do infindável conteúdo para a prova na segunda-feira. Eu realmente acreditei que Vasconsellos era O cara. Peguei 2 livros de sua autoria na Biblioteca e me debrucei buscando as respostas. Descobri coisas importantes:
· Não é porque os livros se chamam ECONOMIA BÁSICA e FUNDAMENTOS DE ECONOMIA que eles responderão a todas as suas perguntas básicas e fundamentais de economia;
· Nunca deixe para responder as questões mais difíceis no último final de semana antes da entrega do trabalho;
· Google nunca é útil quando se precisa dele;
· Murphy sempre aplicará suas leis para que tudo saia errado.
Além das máximas universais acima citadas, elaborei duas questões altamente filosóficas:
· Afinal, por que é que não existe um imenso livro intitulado: TODAS AS RESPOSTAS PARA AS PERGUNTAS DO CURSO DE ADMNISTRAÇÃO(?);
· Qual a diferença entre conversibilidade e inconversibilidade? (Sim, essa é a questão que eu vou deixar em branco no trabalho!)
Liége Jorgens - 3º semestre de Administração

sábado, junho 25, 2005

A Fábula


Como seria se todos nós conhecêssemos passado, presente e prevíssemos o futuro? Não falo sobre as conseqüências, mas a forma que nos sentiríamos em relação a isso. Entender o motivo da aversão por determinado colega, talvez não tivesse bons efeitos a longo prazo, porém eu questiono a curto prazo. Saber tudo que fiz e que fui poderia ser significante? Considerando que as minhas características como ser espiritual são as mesmas da existência anterior, o que poderia chamar a curiosidade seriam as informações sobre os meus cargos e consorciados nas vidas precedentes. Se me fosse revelado que eu fui uma escritora, qual a real importância que isso teria? Eu escreveria melhor ou pior? Ou ao menos, eu escreveria diferente, com mais sentimento? Lógico que não! E se eu descobrisse que eu na outra vida morei na Noruega e fui muito feliz casada com um pescador e uma dúzia de filhos, terei eu que ir para o Norte da Europa para encontrar essas pessoas em busca da felicidade de antes? Lógico que não! Se for uma idéia realmente boa eu continuar a tarefa anterior, com a mesma profissão e com os mesmos familiares, as situações naturais da vida farão com que reencarnemos próximos e que a vida abra espaço para mim como escritora, seja em um pequeno jornal, seja em uma famosa editora. Imaginem se eu tentasse ser tudo que já fui, considerando as milhares de existências, teria que fazer 5 faculdades ao mesmo tempo e adotar a poligamia. Mas como essa não é a intenção...
Por isso que eu sou favorável a manter a ordem divina, do esquecimento do passado... Lógico que o simples fato de eu concordar com isso não faz diferença alguma frente a imutabilidade das leis que regem o Universo, mas é uma forma de me mostrar satisfeita com a Lei Divina, já que muitas leis terrenas não o que se chamaria de justas, as Universais têm que fazer sentido.
Obs: Abaixo vai a música que me fez pensar na situação do texto, em que todos saberíamos passado/presente/futuro.



Engenheiros do Hawaii - A Fabulaby
The Logical Song - Versao: Humberto Gessinger
Era uma vez um planeta mecânico,
lógico, onde ninguém tinha dúvidas
havia nome pra tudo e para tudo uma explicação
até o pôr-do-sol sobre o mar era um gráfico
adivinhar o futuro não era coisa de mágico
era um hábito burocrático, sempre igual
explicar emoções não era coisa ridícula
havia críticos e métodos práticos
cá pra nos, tudo era muito chato
era tudo tão sensato, difícil de agüentar
todos nos sabíamos de cor
como tudo começou e como iria terminar
mas de uma hora pra outra,
tudo o que era tão sólido desabou, no final de um século
raios de sol na madrugada de um sábado radical
foi a pá de cal, tão legal
não sei mais de onde foi que eu vim
por que é que estou aqui,
para onde eu irei
cá pra nos, é bem melhor assim
desconhecer o início e ignorar o fim
da fábula

quinta-feira, maio 26, 2005

Andrea Doria

Andrea Doria
Legião Urbana
Composição: Desconhecido
Às vezes parecia que, de tanto acreditar
Em tudo que achávamos tão certo,
Teríamos o mundo inteiro e até um pouco mais:
Faríamos floresta do deserto
E diamantes de pedaços de vidro.
Mas percebo agora
Que o teu sorriso
Vem diferente,
Quase parecendo te ferir.
Não queria te ver assim
-Quero a tua força como era antes.
O que tens é só teu
E de nada vale fugir
E não sentir mais nada.
Às vezes parecia que era só improvisar
E o mundo então seria um livro aberto,
Até chegar o dia em que tentamos ter demais,
Vendendo fácil o que não tinha preço.
Eu sei - é tudo sem sentido.
Quero ter alguém com quem conversar,
Alguém que depois não use o que eu disse
Contra mim.Nada mais vai me ferir.
É que já me acostumei
Com a estrada errada que eu segui
E com a minha própria lei.
Tenho o que ficou
E tenho sorte até demais,
com sei que tens também...

Desilusão, engano, equívoco? Como se chamaria quando percebemos que aquilo que acreditávamos poder acontecer não acontece? Questão de semântica... Seja como for, não é agradável. Os espíritas que se comprometem com o trabalho sério, sem personalismos, se esforçam e muitas vezes são barrados onde tinham antes seu campo de ação; não conseguem mudar o que é necessário, pois as pessoas têm resistência a mudanças. Mandavam para a vida empenho, dedicação, carinho, zelo, esforço; e a vida segue a mesma. Deserto continua deserto, vidro continua vidro. Acreditavam que tudo daria certo, bastando um pouco de jogo de cintura para que não houvesse empecilhos. Enfim, nada que façam parece ter aquele brilho que tinha antes; acabaram-se as ilusões, o máximo que conseguem são dores de cabeça. Porém não é a falta de retorno que incomoda e, sim a lembrança das esperanças depositadas naquela idéia que fracassou. Ah sim, a palavra é fracasso.