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sexta-feira, dezembro 17, 2010

Volver

Assisti Volver, dirigido e produzido por Pedro Almodovar, que foi para mim por muito tempo um dos melhores cineastas. Nao que eu tenha deixado de pensar assim, mas simplesmente ha bastante tempo nao via seus filmes. E que filme é esse? Adorei.
Para quem ainda nao viu, conta a historia de Raimunda (Penelope Cruz) e as mulheres da sua familia (irma, filha, tia e mae supostamente morta). Distante de sua mae, Raimunda muda-se para Madri, casa-se e tem uma filha. 14 anos depois volta para sua terra natal, num dia de finados para levar flores ao tumulo de seus pais, mortos em um incêndio. Trata-se do reencontro de Raimunda, sua tia e os fantasmas do passado.
O assassinato de seu marido, a morte de sua tia, a doença de uma amiga e os medos de sua irma, e o retorno de sua mae transformam a vida de Raimunda, que tem como poucos a chance de confrontar o seu passado, perdoar a omissao alheia e lutar pelo futuro.
Nota: nao ficar muito tempo sem assistir Almodovar....

segunda-feira, abril 26, 2010

Green Zone


Green Zone é um filme estrelado por Matt Damon que relata os trabalhos dos soldados americanos no Iraque em 2003. Matt Damon é Roy Miller, que tem a missao junto da sua equipe de encontrar as armas de destruiçao massiva (ADM) que o governo americano afirmava estarem escondidas no deserto iraquiano. Enviados de um lugar a outro à partir de falsas denuncias, um grupo de militares chefiados por Roy Miller tenta interceptar uma reuniao clandestina de chefes iraquianos, à partir da denuncia de um civil. A historia fica em torno das açoes americanas no Iraque e a maneira como se forma o governo iraquiano, composto de amigos do presidente Bush, em vez de pessoas realmente ligadas aos problemas enfrentados no pais para a sua reconstruçao no pos-guerra.
Nao é um filme que tente tratar profundamente as dificuldades do povo iraquiano, mas mostra superficialmente a maneira como o governo americano tratou do assunto e, além disso, é um otimo filme de açao.


segunda-feira, março 22, 2010

La Rafle


16 de julho de 1942. Dois dias apos a festa nacional, Paris encontra-se tomada pelos alemaes e os parisienses submetidos às ordens de Hittler. Na falsa esperança de estarem abrigados no pais dos direitos humanos, os membros da comunidade judia percorrem o caminho que os leva até os campos de concentraçao, na conhecida “rafle du vel d’hiv”.

Uma consideraçao interessante que Rose Bosch coloca é a responsabilidade da admnistraçao publica francesa, que nao soube gerar a situaçao e se posicionar à favor do que deveria. O pais da Fraternidade, Liberdade e Igualdade nao soube mostrar nenhum desses criterios, à nao ser por iniciativas individuais, que nada tiveram a ver com o poder publico, que conseguiu salvar mais de 10 mil judeus.

O objetivo na rafle seria o exterminio de 24 mil judeus. Na realidade, os numeros nao ultrapassaram 14 mil. Essa diferença foi graças aos judeus que conseguiram fugir e aos parisienses que puderam esconder, mostrando a fraternidade que seus lideres nao souberem mostrar.

Porém faltou abordar um pouco mais sobre esses fatos historicos, da posiçao do governo frances, pois acredito que faltam filmes em que os papeis dos estados nao sao dicotomicos em relaçao à Segunda Guerra. Temos sempre os alemaes de um lado, os judeus do outro, mas seria interessante tratar mais sobre a submissao de outros Estados e à indiferença face à tragédia ocorrido.

Trailer do filme

domingo, março 21, 2010

Crazy Heart


Crazy Heart foi uma boa surpresa. Um filme de Scott Cooper produzido em 2009 e Oscar em 2010 de melhor ator para Jeff Bridges.
No papel de Bad Blake, Jeff Bridges interpreta um cantor country, de 57 anos, no fim de carreira que devido aos seus problemas com a bebida consegue cantar em bares nada badalados e em cidades perdidas no meio do mapa. Bad Blake vai perdendo a sua popularidade e poucos sao os que ainda lembram dele.
A unica coisa que pode ajudar a dar uma guinada na sua carreira é aceitar a proposta de abrir o show de Tommy Sweet, um antigo aluno, a quem ele tudo ensinou, que apesar de tê-lo superado em sucesso, sempre reconheceu a superioridade do seu mestre.
Ao mesmo tempo em que passa por dificuldades na sua carreira e problemas com as bebidas, Bad conhece Jean, uma jornalista local que se interessa em realizar uma matéria sobre a historia do cantor. Nessa descoberta, eles se apaixonam, o que ajuda Bad à voltar a escrever cançoes e reaver seu sucesso. Entre idas e vindas no relacionamento com a jornalista e com o alcool, Bad passa por muitas adversidades até poder encotnrar seu caminho.

domingo, fevereiro 21, 2010

The Usual Suspects

Ontem assisti um filme muito bom. Assisti a versao original com legenda em francês. Aqui o filme se chama The Usual Suspects mas no Brasil o nome é Os Suspeitos. O elenco é otimo: Kevin Spacey, Benicio del Toro, Gabriel Byrne e Kevin Pollak.
Uma explosao no cais do porto mata mais de 20 pessoas, deixando apenas dois sobreviventes: um hungaro à beira da morte que so consegue falar na lingua materna e um ladrao verborragico e manco, que se autodenomina Verbal Kint.
Por tras do crime, està Keyser Soze, uma lenda no mundo do crime. Ninguem sabe se ele existe ou ja existiu, mas sua possivel existencia intriga o delegado encarregado das investigaçoes, a fim de descobrir a identidade do assassino.

Um filme muito interessante. E da pra descobrir direitinho quem é o tal do Keyser, é so prestar atençao.


quinta-feira, agosto 09, 2007



Invasões Bárbaras


Mais uma vez, aquilo que se pode chamar de acaso, mostra a sua face. Uma simples combinação de fatos fez com que eu pudesse assistir Invasões Bárbaras - logo depois de ter visto A Sociedade dos Poetas Mortos, pela quadragésima oitava vez. Sabe quando você espera chegar em casa e ficar na frente da lareira até o sono chegar? Então aquele DVD surgiu na minha frente com o intuito de me fazer ficar acordada por mais um tempo. Não pude desperdiçar a oportunidade. Pessoas falando em francês num filme cujo nome estava escrito em um post-it no meu desktop há aproximadamente um ano.
Francês, sabe, não há sono que resista.

Premiações
- Ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, além de ter sido indicado na categoria de Melhor Roteiro Original.

- Recebeu uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro.

- Recebeu 2 indicações ao BAFTA, nas seguintes categorias: Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Roteiro Original.

- Recebeu 4 indicações ao Cesar, nas seguintes categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro e Melhor Revelação Feminina (Marie-Josée Croze).

- Ganhou os prêmios de Melhor Atriz (Marie-Josée Croze) e Melhor Roteiro, no Festival de Cannes.

- Ganhou o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro, no European Film Awards.

- Ganhou o Grande Prêmio Cinema Brasil de Melhor Filme Estrangeiro.



domingo, janeiro 07, 2007


Elefante

A capa do filme me chamava a atenção em algum canto das prateleiras de qualquer vídeo-locadora, como que suplicasse para ser visto. Sempre tinha algum outro filme que alguém tivesse comentado para alugar, então Elefante acabava sendo deixado de lado, quase que predestinadamente.

Agora eu entendo o motivo.

Elefante tem uma ótima fotografia. E teve um pretexto para ser feito. E hoje percebo que isso não é o bastante. A fotografia é fundamental em um filme, pois é o que me chama mais atenção. As cores utilizadas, os ângulos em que as pessoas são filmadas, a disposição dos objetos em cena. Tudo imprescindível. Elefante tem isso, mas não foi o suficiente. Teve um objetivo final, mas não me alterou em nada. Terminou o filme e eu continuei a mesma. Qual a moral do filme? Que não devemos fazer bullying com ninguém? Nenhuma novidade. Que estamos sujeitos a interromper a vida de um instante para o outro? Sim, é a condição dos humanos.

Vou procurar algumas críticas do filme, mas ele em si não me provocou. Não é tão enigmático quanto a capa. Será que a moral é não julgar o filme pela capa?

terça-feira, novembro 08, 2005

O BAAL ZEBUB

O BAAL ZEBUB
Liége Jorgens1


Dirigido por Harry Hook em 1990, O Senhor das Moscas mostra o lado sombrio da mente humana, mergulhando o telespectador em uma metáfora sobre o desenvolvimento da vida em sociedade.
A aeronave de um grupo de garotos ingleses cai em uma ilha paradisíaca iniciando, assim, uma luta pela sobrevivência e pelo retorno a seus lares. Os garotos criam uma sociedade fundada em regras de liderança, comunicação, trabalho em equipe e consciência.
A princípio todos parecem estar receptivos à liderança de Ralph, um líder democrático, que prega a civilidade e a união. Todos devem cooperar nas tarefas que são, basicamente, manter a fogueira acesa – como forma de sinalizar para a equipe de resgate - e conseguir sua subsistência.
Não se pode negar que os agrupamentos de pessoas estão isentos de problemas, mesmo aqueles bem organizados e estruturados. É assim que, dentro da sociedade, surge uma facção que deprecia os outros membros e passa a desrespeitar as regras, deixando de cooperar na atividade primordial: a tentativa de resgate. A prioridade desses garotos passa a ser a caça.
Digladiando pelo poder, Jack divide a sociedade explicitamente: as crianças seguem Ralph e os caçadores devem segui-lo. Baseia-se na idéia de dividir para melhor dominar. Como diz Sun Tse2: “Perturbem o governo adversário, semeiem a dissensão entre os chefes, excitando o ciúme ou a desconfiança, provoquem indisciplina, forneçam causas de descontentamento. A divisão fatal é aquela pela qual tentamos, por meio de ruídos tendenciosos, lançar o descrédito ou a suspeita, até na corte do Soberano inimigo, sobre os generais que o servem”. É o que se observa quando Jack diz aos garotos que cumpre suas promessas, diferente de Ralph, ele conseguia a carne que eles tanto queriam.
Sun Tse ensina também como ganhar uma guerra abalando a autoconfiança do outro: “Sem chegar ainda à luta, tente ser vitorioso. (...) Como os antigos que, antes de entrar em combate, tentavam enfraquecer a confiança do inimigo humilhando-o, mortificando-o, submetendo suas forças a rudes provas. (...) Corrompam tudo o que nele houver de melhor, por meio de oferendas, de presentes, de promessas; alterando a confiança em seus melhores guerreiros, levando-os a ações vergonhosas e vis. E não esquecendo de divulgá-las.” Exatamente o que os caçadores fazem, roubando a faca e os óculos do braço-direito de Ralph. O grupo dos garotos civilizados se desestabiliza pela falta de instrumentos de prosseguir em suas tarefas.
A liderança de Jack é autocrática e utiliza o medo do desconhecido – o Monstro – para melhor dominar.
Sem regras e sem adultos por perto, os garotos sentem-se livres para fazer o que quiserem, passando de garotos normais a assassinos perversos. Os caçadores assassinam sem querer um membro do grupo dos garotos civilizados. É o momento em que parece que haverá uma tomada de consciência, mas não acontece. Encontram um bode expiatório para levar a culpa. É o que a psicanalista francesa Marie-France Hirigoyen3 chama de deslocamento da culpa. Por um fenômeno de transferência, os verdadeiros culpados projetam a culpa no bode-expiatório. Há uma necessidade de projetar a culpa para o exterior e de dizer: “A culpa é sua!” ou alguma outra frase do gênero.
E quanto ao nome que leva a presente resenha, deve-se a interpretação da autora sobre o nome do filme. Levando em conta a sociedade satânica formada pelos caçadores, pode ser uma referência à origem etimológica da palavra Belzebu, do babilônico Baal Zebub, ou em português, Senhor das Moscas.
Interpretações à parte, o filme leva o espectador a repensar as noções de certo e errado incorporadas pelo superego e a necessidade de uma conduta moral para a viver em sociedade respeitando os limites dos outros. Utilizando instrumentos trágicos, o autor retrata a impiedade e a selvageria humana, chocando o espectador que precisa de uma boa dose de sangue-frio para se manter até o final do filme.



1 Aluna do 4º Semestre Curso de Administração – UNICRUZ.
2 Sun Tse, A Arte da Guerra, Editora Record.
3 Marie-France Hirigoyen, Assédio Moral: A violência perversa no cotidiano, Bertrand Brasil.

quarta-feira, maio 11, 2005

Céline & Jesse

Depois de dez anos do lançamento de Antes do Amanhecer, finalmente nesse ano tivemos a volta de Celine e Jesse à telona no filme Antes do Pôr-do-Sol.
Em Antes do Pôr-do-sol (2º), Jesse e Celine reencontram-se na última seção de autógrafos de Jesse que está lançando um livro sobre o dia que passou com Celine em Viena. Como não poderia deixar de ser, os dois saem para conversar. Voltamos então àquele tipo de filme que bem conhecemos, uma câmera filmando, os protagonistas trocando experiências, idéias e, desta vez, algumas explicações sobre o passado, enquanto trilhavam pelas ruas de Paris.
Em Antes do Amanhecer (1°), Celine e Jesse, por obra do Senhor Destino, conhecem-se casualmente em um trem. Como cada um tinha um lugar diferente para terminar a viagem, resolveram adiar seus compromissos ou “esquecer” como um casual engano para que pudessem aproveitar a companhia até o amanhecer do outro dia em Viena. A idéia de deixar aquele encontro passar em branco foi a preocupação e prerrogativa inicial, porém aqueles breves momentos não cairiam nunca mais no abismo do esquecimento.
Ao chegar do amanhecer, Celine segue a França e Jesse aos Estados Unidos, onde cada um tinha o seu lar para retornar e seguir a vida. Ficou a promessa do reencontro, sem cobranças, sem telefonemas, sem cartas. Apenas a ausência um do outro e esperança de que após 6 meses suas vidas se cruzariam novamente.
E assim termina Antes do Amanhecer.. A despedida na estação de trem!
Após nove anos, então, encontram-se os dois na seção de autógrafos...
Explicações sobre o desencontro, sobre o passado mal resolvido, sobre como tudo poderia ter sido diferente, sobre como seria se Jesse não estivesse casado e com um filho, sobre como seria se eles ao menos tivessem trocado telefones e Jesse soubesse que Celine esteve morando em Nova York também, sobre como seria se Celine não precisasse apagar a lembrança de Jesse em cada novo relacionamento, como seria se eles não tivessem abortado a relação, se eles tivessem esperado até um possível desgaste na relação ou o fim natural que a maioria dos namoros têm...
E tudo isso em diálogos bem construídos, em que se percebe o amadurecimento dos personagens, sem perder a personalidade de cada um... Tratando de assuntos como morte, reencarnação, infância, criação, família, Deus... Nada difícil de nos identificarmos com os filmes, pois, apesar de não termos vivido uma história de amor em Viena, todos nós já nos deparamos com os mesmos conflitos e problemas.
Fica a sugestão para quem estiver rodando na vídeo-locadora sem saber o que assistir!